Súbito ataque de viver
este repentino acto de querer sorrir
valham-me os santos recônditos do escondido altar
vim a correr sobre vidro quebrado para te dizer qualquer coisa fundamental.
Algo imprescendível para a felicidade
um centímetro de intimidade nos separa
um milimetro de espaço nos afasta
nos lençóis mais que macios deixei-me estar
sem acordar saí de mansinho e larguei-me de falsas modéstias
para te dizer que nunca viste ninguém como eu.
O teu mais que imperfeito
o teu mais que tudo errado
por tudo o que possa ser e o que ainda não fui
o ser alado de asas cortadas.
Por isso peço só isto:
Olha para mim
Vês-me?
Toca-me
Aprecia-me
Diz-me quem eu sou para ti e o que vês.
Está alguem aí?

Vejo-te sim... vejo-te mesmo quando me dizes que não és tu. E quero-te assim, quero-nos aos dois, juntos e amados...
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