quinta-feira, janeiro 8

#3

Quanto vale um segredo?



Quanto vale uma mentira?



Uma confidência..



Vale tudo para sermos felizes, mentimos tão facilmente quanto respiramos.



Por e para nós, para sermos o que somos e o que queremos que pensem..



Quanto vale o sigilo de um cruzar de olhares...



Num murmúrio revelam-se despojos de uma juventude perdida



e nem uma lágrima. nada, porque ninguém chora por nós quando mentimos.



Cobrimos as nossas vidas com um lenço alvo



sobre a degenerada camada que apodrece...a alma. Que interessa isso, da alma...que interessa isso...de pensar em algo mais que nós..



Eu não consigo viver as mentiras dos outros quanto mais as minhas.



Verdades absolutas?



Aqui esperem nenhumas, não sou apologista.



Deixarei apenas e por um ano pedaços que me restam do coração.



Faço questão de os arrancar e plasmar em cada letra para gáudio de um sádico alheio.



Espero que leiam, espero que gostem, espero que chafurdem.



Espero por todos vós, os do costume. Que nunca me mentiram...eu sei.



A noite vai caindo ,



eu também, mais um trago, mais umas palavras da cor dos meus pensamentos.



Sou um cão azul



Sou um poeta de alma gasta,



Costuro palavras desenfreadas nesta manta de retalhos,



para dizer algo,



eu sei que vos quero dizer alguma coisa.



Escapa-me, como a verdade dos que espreito à minha volta.



Ninguém é perfeito,



eu sei que não.



Sei outras coisas que agora não me lembro nem me calham dizer porque sou perneta dos pensamentos.



Coxeio pelas avenidas do raciocínio com olhos injectados de sangue,


Num assomo de sombra e cor sou uno com o momento


Para nunca mais voltar a encontrar o fio de uma meada que nem sequer princípio encontro aqui.

Vale o que vale

Folhas arrancadas

letras rabiscadas

Cabelos puxados

e desejos calados.

Nada disso pode ser dito

Nem mesmo o que vos grito aqui.

Mintam para serem felizes

como eu quando me calo

e fecho os olhos.

Aí profiro a maior ilusão

no silêncio professo a minha humildade e resumo-me num só ponto

num só ser

num só monocórdico andarilho que mais não quer senão justificar a razão da crença

num somar de ditos

num juntar de fés

tomo todas como um comprimido

e aguardo pelo efeito desejado da clarividência que nunca aparece

nunca , pelo menos em mim.

Encontro-me de lágrimas negras

sem nome ou tecto

vagabundo da resposta

sem solução à vista

com vista para o precípicio

beneficiado pelo duplex esperança encontra desespero.

Podia dizer que era dos tempos modernos

podia dizer que a sociedade tinha trazido isto tudo ou

simplesmente não estava à espera.

Mas aí iria estar a mentir.

Também podia dizer já a verdade

mas que piada que isso tinha

apanhem os pedaços da minha devoção

e coloquem a vossa sabedoria em jogo.

O que é que ele quer dizer?

Eu...

Estou só a precisar de desabafar.

Largar um pouco de mim

Arranco o pedaço

Aqui têm.

Não doeu.

minto novamente.

Dói há muito tempo saber que nem sequer sei mentir e sei que há quem minta quando sorri.

Uma única verdade

uma única vontade

uma única certeza..

impossível.

É nestas raras alturas de clarividência que desejo apenas..

antes ser cego.

antes ser cego.

antes ser cego.

Vêm-me?

Eu só me vejo a mim.

terça-feira, janeiro 6

#2

o caos amonita-se à minha volta
o ruído acomoda-se nos meus ouvidos confortavelmente,
verte sobre si mesmo o desatino do desvio
e corrói-se em espirais de vinho
de loucura quente e desvario.
Carnes soltas dançam
quando os cães riem
e tudo isto desaba sem que saia sequer da minha cadeira
nem esboço a fuga
sou parte disto na névoa reinante
e na turva cápsula que me enfeita a visão
sou rei e senhor plasmado na minha eminência ignorante
parda , cinzenta, esquecida e torta.
Qual esfinge pousada
sou estátua da derrota vendida por um pão seco de um dia que o sol nunca chegou.

segunda-feira, janeiro 5

1#

Sem pensar, apenas para poder guardar alguma coisa, com o intuito de desabafar no gigantesco anonimato da orbi urbi.
Sem sonhos nem esperanças nem ideias de ilusões.
Cru.
Nu.
Inatingível / imperceptível.
2009..
Uma cegueira nocturna instalada em mim e o sonho que hesita em não querer nascer.
Um nó por desatar desde que me conheço e uma inquietude que não tem explicação na lógica imperante.
Resvalo nas palavras à procura de sentido. Sempre. Para sempre.
Para sempre não é tempo demais quando se vive na infinita cognitividade da nossa deficiente criação.
Aqui fica o meu plano, sem pejo nem pudor, nem deus nem senhor à procura apenas de um meio que justifique o fim.