No fim do mundo
enrolados em lençóis alvos
vi-te sorrir onde cedo se fez o mar
e despontam sonhos em nuvens de sal.
cobrimos os nossos corpos de sol
na fortaleza do esquecimento
e aquecemo-nos no temporal das nossas paixões..
Deslizamos por caminhos antigos
em linguas de pedra sinuosas
pregadas num manto azul adornado
imergimos velozes e esguios
livres
limpos
e ímpares com uma única certeza..
O destino está nas nossas mãos.
as minhas que te fazem viajar
as tuas que deslizam por mim e me fazem suspirar.
as nossas que te seguram à cama quando sentes que vais levitar..
Navegamos mais um dia
por mais tempestades
sem perder o rumo
porque assim é a vida
queremos almejar um destino
mas não nos podemos esqueçer que o maior gozo está na ida.
Mesmo quando a nau treme
mesmo quando há motins a bordo
mesmo quando tudo parece perdido com o barco a ir ao fundo
para ir a algum lado só irei contigo.
Nem que seja em direcção ao abismo
dançarei uma vez mais nos teus olhos
e juntos iremos rir do destino..
Fica a cadência de uma jornada inesquecível
com um pouco de paraíso libertas o anjo em ti
e fazes-me sentir realmente nas nuvens
tudo isso sem sair do sítio
comigo tonto a olhar para ti...ver-te sorrir..feliz.
quarta-feira, fevereiro 25
quinta-feira, fevereiro 12
quinta-feira, fevereiro 5
qualquer coisa
Súbito ataque de viver
este repentino acto de querer sorrir
valham-me os santos recônditos do escondido altar
vim a correr sobre vidro quebrado para te dizer qualquer coisa fundamental.
Algo imprescendível para a felicidade
um centímetro de intimidade nos separa
um milimetro de espaço nos afasta
nos lençóis mais que macios deixei-me estar
sem acordar saí de mansinho e larguei-me de falsas modéstias
para te dizer que nunca viste ninguém como eu.
O teu mais que imperfeito
o teu mais que tudo errado
por tudo o que possa ser e o que ainda não fui
o ser alado de asas cortadas.
Por isso peço só isto:
Olha para mim
Vês-me?
Toca-me
Aprecia-me
Diz-me quem eu sou para ti e o que vês.
Está alguem aí?
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